Morning Call

quinta-feira, 28 de maio de 2026

IBOV cede com tombo do petróleo e IPCA-15 estourando teto; Wall Street bate triplo recorde na mão oposta

Dia de agenda pesada amanhã: PCE de abril (termômetro preferido do Fed para inflação) sai às 9h30 junto com revisão do PIB do Q1 dos EUA — número esperado em 2,0% ante 0,5% anterior, o que já seria revisão expressiva. Qualquer surpresa no PCE pode mover câmbio e juros globais. No Brasil, desemprego de abril (forecast 5,9%) e CAGED completam o quadro do mercado de trabalho. O IPCA-15 de ontem acima do teto da meta (4,64% em 12 meses) mantém a pressão nos juros longos.

O que tá dando o tom

  • IBOV fechou em queda de 0,48% (175.744 pts) puxado por Petrobras, que sofreu com o Brent derretendo mais de 4,5% — abaixo de US$93, mínima do mês — após sinais de avanço em negociações EUA-Irã e possível reabertura do Estreito de Ormuz.

  • Amplitude do mercado em nível crítico: apenas 25% das ações do IBOV acima da média de 20 dias e menos de 18% acima da média de 50 dias (sinais que indicam fraqueza ampla, não restrita a poucos papéis).

  • IPCA-15 de maio em 0,62% acumulou 4,64% em 12 meses, extrapolando o teto da meta de 4,5%, com pressão de alimentos e energia. Juros futuros longos fecharam levemente mais altos.

  • Wall Street fez o caminho inverso: Dow, S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas juntos, beneficiados pelo recuo do petróleo que foi lido como alívio geopolítico.

  • No tech americano, Snowflake disparou ~36% com demanda de IA; Zscaler tombou 31% — pior dia da sua história — após guidance fraco. Bitcoin oscila perto de US$75 mil com sinais de enfraquecimento de demanda.

O que fazer com isso hoje

  • Para o trader

    Amplitude crítica (25% acima da MA20) sugere evitar entradas compradas sem catalisador claro. O volume de eventos macro amanhã de manhã — PCE + PIB + desemprego BR — cria janela de volatilidade concentrada entre 9h e 10h. Operar tamanho reduzido até a poeira baixar.

  • Para o investidor de longo prazo

    PCE acima do esperado amanhã pode segurar expectativa de corte de juros nos EUA por mais tempo, pressionando bolsas globais e o real. Combinado com IPCA-15 acima do teto da meta, o cenário de juros altos por mais tempo no Brasil também se reforça — favorece quem ainda não alongou duration em renda fixa.

  • Para acionista de PETR4

    Brent abaixo de US$93 no menor nível do mês após notícias de avanço nas negociações EUA-Irã. Se o acordo ganhar corpo, pressão no petróleo pode persistir. Vale monitorar desenvolvimento geopolítico antes de adicionar posição.

No radar — agenda BR + EUA

08:00🇧🇷IGP-M (Mai) — inflação medida pela FGV, prior 2,73%●●●
09:00🇧🇷Taxa de Desemprego (Abr) — forecast 5,9%, prior 6,1%●●●
09:30🇺🇸Núcleo do PCE (Abr) — inflação preferida do Fed, forecast 0,3% m/m e 3,3% a/a●●●
09:30🇺🇸PIB dos EUA Q1 (revisão) — forecast 2,0%, prior 0,5%●●●
09:30🇺🇸Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego — forecast 211K●●●
14:30🇧🇷CAGED (Abr) — saldo de empregos formais, prior 228K●●●
09:55🇺🇸Discurso de Williams (membro do Fed/FOMC)●●○
11:00🇺🇸Venda de Casas Novas (Abr) — forecast 661K, prior 682K●●●

Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668