Morning Call
quinta-feira, 4 de junho de 2026
IBOV no menor nível desde janeiro: juros futuros disparam, tarifaço sobre exportações brasileiras e tensão EUA-Irã pesam ao mesmo tempo
Três frentes simultâneas derrubaram o IBOV 2,22% ontem: escalada militar EUA-Irã (com impacto em commodities e aversão a risco global), novo tarifaço americano que pode impor até 37,5% de carga adicional sobre exportações brasileiras, e estresse nos juros futuros — os contratos de médio prazo subiram mais de 36 pontos-base e a curva parou de precificar qualquer corte na Selic em 2026. Hoje, o mercado aguarda dados de emprego nos EUA às 9h30 e dois discursos de Daly (Fed) ao longo do dia — qualquer sinal mais duro sobre juros americanos pode ampliar a pressão.
O que tá dando o tom
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IBOV fechou próximo aos 170k pontos — menor patamar desde janeiro — e acumula queda de 3,08% na semana.
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Amplitude do mercado em nível crítico: apenas 26,6% das ações do IBOV estão acima da média de 20 dias e 16,5% acima da de 50 dias — sinal de fraqueza ampla, não concentrada em poucos papéis.
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Juros futuros (DI jan/2029) subiram mais de 36 pontos-base; mercado retirou da conta qualquer corte da Selic em 2026 e economistas já revisam a taxa terminal para cima.
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Tarifaço americano pode acumular 37,5% sobre exportações brasileiras (25% por práticas 'injustas' + 12,5% por trabalho forçado); governo articula conversa Lula-Trump e ampliou o Brasil Soberano 2 para exportadoras.
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Destaque positivo isolado: Copasa (CSMG3) saltou 13% nos últimos minutos após Equatorial apresentar nova proposta de aquisição na privatização.
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Brent subiu ~2% com a escalada no Oriente Médio (fechou em US$96,49), mas ouro recuou — movimento atípico atribuído a liquidação forçada de posições por gestores sob pressão.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Amplitude crítica (26,6% acima da MA20) com IBOV no menor nível desde janeiro sugere evitar entradas compradas sem confirmação de volume e reversão. Ambiente de juros futuros em alta e incerteza tarifária mantém viés vendedor no curto prazo.
Para o investidor de longo prazo
A curva de juros futuros deixou de precificar corte da Selic em 2026 — mudança relevante de cenário. Quem carrega renda variável doméstica deve revisar o horizonte; o custo de oportunidade da renda fixa subiu junto com os DIs.
Para acionista de CSMG3
Copasa disparou 13% no fechamento com nova proposta da Equatorial. Quem está posicionado deve acompanhar de perto a evolução da oferta — movimentos bruscos de final de pregão em processos de M&A costumam trazer volatilidade adicional nas sessões seguintes.
No radar — agenda BR + EUA
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668