Morning Call
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
IBOV na 10ª alta seguida aos 179.722 pontos; lá fora, Wall Street cai e juros longos vão a máximas de décadas com Brent perto de US$ 95
Cenário dividido: o Brasil emenda alta com dólar perto de R$ 5,15 e juros futuros em queda, enquanto lá fora o petróleo caro empurra os juros longos a máximas de décadas — o título americano de 10 anos a 4,80% e o DXY (índice do dólar) em 99,78. No calendário, o PIB do 2º trimestre às 9h: veio +0,5% no trimestre e +2,0% em um ano, acima do esperado, mas com consumo das famílias caindo 0,4%, a primeira retração em três trimestres. Composição fraca, sustentada por investimento e estoques.
O que tá dando o tom
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Ibovespa +1,30%, aos 179.722 pontos — décima alta seguida e maior nível em quase quatro meses. Petrobras puxou o índice: PETR4 +4,11%, a R$ 46,87, na esteira do petróleo.
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Lá fora foi o oposto: S&P 500 -0,71% e Nasdaq -1,03%. O Brent está em US$ 95,42, alta de 8,63% na semana, depois dos ataques dos EUA a alvos no Irã e da resposta iraniana contra uma base americana na Jordânia.
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Barril mais caro reacendeu o medo de inflação: o juro do título público americano de 10 anos foi a 4,80%, maior nível desde janeiro de 2025; o japonês a 3% e o britânico a 5,23%. Juro alto lá fora costuma drenar dinheiro da bolsa.
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Aqui o caminho foi contrário: dólar à vista perto de R$ 5,15 e juros futuros cedendo — o DI para janeiro de 2028 recuou a 13,745%, com o mercado reforçando a aposta em mais cortes da Selic, hoje em 14,00%.
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No corporativo, a Motiva concluiu a venda dos 20 aeroportos à mexicana Asur por R$ 12,21 bilhões, com R$ 5,19 bilhões entrando no caixa e a alavancagem (dívida sobre geração de caixa) caindo de 3,7 para cerca de 3 vezes.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Para o trader: o IBOV chega à décima alta seguida, no maior nível em quase quatro meses e destoando de Wall Street — índice esticado pede cautela com entradas compradas sem volume confirmando, e o petróleo segue mandando no rumo via Petrobras.
Para o investidor de longo prazo
Para o investidor de longo prazo: juros de títulos de 10 anos em máximas de décadas nos EUA, no Japão e no Reino Unido encarecem o dinheiro no mundo e costumam pressionar bolsas; aqui, a queda dos juros futuros aponta na direção oposta. Cabe acompanhar qual dos dois lados prevalece.
Para acionista de PETR4
Brent perto de US$ 95, alta de 8,63% na semana, sustentou o salto de 4,11% do papel, a R$ 46,87. O gatilho é geopolítico — ataques no Irã e tensão no Estreito de Ormuz —, e prêmio de risco pode se desfazer tão rápido quanto apareceu.
No radar — agenda BR + EUA
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668