Morning Call

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

IBOV nos 188 mil, maior fechamento em quatro meses, na contramão de Wall Street; Brent a US$ 108 e juro dos EUA pesam lá fora

Agenda vazia hoje: nenhum indicador programado no Brasil ou nos EUA, então o pregão fica à mercê do noticiário e do exterior. O peso está na semana que vem — Copom se reúne terça e quarta, com as opções negociadas na B3 apontando cerca de 95% de chance de corte de 0,25 ponto (Selic a 13,75% ao ano), e na mesma terça o STF julga um pedido que expõe a crise entre seus ministros. Lá fora, o índice de preços ao produtor de agosto elevou a aposta de que o comitê de juros do Fed (FOMC) possa até subir a taxa.

O que tá dando o tom

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    Ibovespa aos 188.268 pontos, +1,42% no dia e +1,65% na semana, com giro de R$ 22,9 bilhões. Bancos puxaram o movimento (índice financeiro da B3 +2,43%), Petrobras subiu pelo terceiro pregão seguido e Vale recuou 1,10%.

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    O motor foi eleitoral: pesquisa divulgada à tarde trouxe empate técnico num eventual segundo turno (46,4% x 46,2%), primeira vez desde abril que o presidente perde a liderança isolada. O mercado comprou bolsa e real na contramão do exterior. Pesquisa é foto, não previsão.

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    Amplitude esticada: 96% das ações do IBOV estão acima da média de 20 dias e 82,9% acima da de 50 dias (referência de fechamento em 08/09). Quase todo mundo já subiu — sobra pouco espaço pra amplitude melhorar.

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    Lá fora foi vermelho de novo: S&P 500 -0,58% e Nasdaq -0,65%. O gatilho foi petróleo mais juro — Brent a US$ 108 (+13,5% na semana) e título americano de 10 anos a 4,96%, com o índice de preços ao produtor de agosto reforçando o receio de inflação.

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    Dólar rodando perto de R$ 5,10 e juros futuros cedendo em quase toda a curva: o DI para janeiro de 2036 caiu 11 pontos-base (0,11 ponto percentual), a 14,12% — mercado pedindo menos prêmio pra emprestar no prazo longo.

O que fazer com isso hoje

  • Para o trader

    Para o trader: com 96% das ações do IBOV acima da média de 20 dias, o índice chega esticado ao topo de quatro meses — a amplitude tem pouco espaço pra melhorar e qualquer realização lá fora pesa mais. Entrada compradora nova pede volume confirmando.

  • Para o investidor de longo prazo

    Para o investidor de longo prazo: o rali veio de pesquisa eleitoral, não de resultado de empresa — e pesquisa muda. O juro americano de 10 anos a 4,96% e o petróleo a US$ 108 seguem apertando o cenário global; o Copom da semana que vem define o custo do dinheiro aqui.

  • Para acionista de PETR4

    Terceiro pregão seguido de alta, com o Brent a US$ 108 (+13,5% na semana), maior nível desde maio. O salto veio de risco geopolítico — guerra prolongada com o Irã e avanço houthi sobre rota marítima no Iêmen —, ou seja, combustível volátil, não tendência confirmada de preço.

No radar — agenda BR + EUA

Nenhum evento macro relevante hoje.

Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668