Morning Call

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Ibovespa a 186.503 com Petrobras em valor de mercado recorde; juro de 10 anos dos EUA acima de 5% derruba Wall Street

Dia de decisão dupla de juros. Aqui, o Copom se reúne com economistas estimando corte da Selic para 13,75% ao ano — e o comunicado pesa mais que o número. Nos EUA, o Fed decide com o mercado dando mais de 92% de chance a uma alta de 0,25 ponto percentual, saindo da faixa de 3,50%-3,75%; seria o primeiro aumento em três anos, depois de o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto vir a 0,3% contra 0,2% esperado. Fora essas duas decisões, o calendário do dia vem vazio nos nossos provedores.

O que tá dando o tom

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    O Ibovespa fechou em alta de 0,54%, aos 186.503 pontos, e quase tudo veio de Petrobras: PETR3 +3,63% e PETR4 +3,09%, com a estatal no maior valor de mercado da sua história, R$ 692,35 bilhões. Na semana, porém, o índice ainda cai 0,46%. O dólar ficou parado, a R$ 5,1529.

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    Wall Street na defensiva: S&P 500 -0,45% e Nasdaq -0,78% no dia (-1,14% e -1,66% na semana), com o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos passando de 5%, maior nível desde 2007 — juro alto lá fora costuma tirar apetite por ativo de risco.

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    Petróleo no centro da história: o Brent está a US$ 107,95, praticamente de lado no dia mas +6,66% na semana, depois de ataques à infraestrutura saudita, oleoduto fechado e embarques suspensos no porto de Yanbu.

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    O julgamento no STF do relatório da PF envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro foi suspenso por pedido de vista e respingou nos juros futuros: o DI para janeiro de 2028 foi a 13,67% e o de 2035, a 14,375% — curva mais inclinada, misturando risco local e petróleo.

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    A amplitude do mercado segue forte: 82% das ações do IBOV estão acima da média de 20 dias e 68% acima da de 50 (ou seja, quantas ações de fato acompanham a alta) — dado com fechamento de referência em 14/09.

O que fazer com isso hoje

  • Para o trader

    Para o trader: com Copom e Fed no mesmo dia, o risco está nos comunicados, não nos números — posição montada antes das decisões fica exposta a movimento brusco nos dois sentidos.

  • Para o investidor de longo prazo

    Para o investidor de longo prazo: juro de 10 anos dos EUA acima de 5%, o maior nível desde 2007, encarece o dinheiro lá fora. Cabe acompanhar o efeito sobre bolsas e ativos de risco nos próximos meses, e não apenas a decisão de hoje.

  • Para acionista de PETR4

    A estatal chegou ao maior valor de mercado da sua história, R$ 692,35 bilhões, com o Brent acima de US$ 107 e produção de 2,92 milhões de barris/dia em agosto, 4% acima de julho. Vale lembrar que boa parte da alta veio do petróleo, e o petróleo subiu por ataque à infraestrutura saudita — fica de olho se esse prêmio de risco se sustenta.

No radar — agenda BR + EUA

Nenhum evento macro relevante hoje.

Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668