Morning Call
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
IBOV devolve queda de quase 3 mil pontos e fecha a 185.992 (+0,24%); Wall Street reage com chips após o Fed subir juros
Sem evento macro programado para hoje no Brasil e nos EUA: a sessão fica por conta do noticiário. O fio a acompanhar é o petróleo — o Brent cedeu 0,84%, a US$ 103,94, com acenos diplomáticos no Oriente Médio e retomada da oferta saudita, o que aliviou os juros dos títulos americanos (Treasuries), referência global. O dólar ficou parado em R$ 5,1245 e o ouro, de lado. Fed subiu juros, Banco da Inglaterra manteve, e faltam 17 dias para o primeiro turno, com a última pesquisa em empate técnico.
O que tá dando o tom
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O reajuste de 15% no Bolsa Família dominou a sessão: o IBOV chegou a perder quase 3 mil pontos pela manhã, virou e fechou aos 185.992, alta de 0,24%, com R$ 18,6 bilhões negociados. Na semana, ainda cede 1,21%.
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O susto veio da conta: o piso do benefício vai de R$ 600 para R$ 691, custo de R$ 5,8 bi neste ano e cerca de R$ 22,7 bi em 2027. A medida é contestada no TSE e no TCU, e o órgão fiscal do Senado calcula R$ 35,7 bi de contingenciamento (bloqueio de gastos) em 2027.
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Os juros futuros devolveram o estresse: o contrato para janeiro de 2028 terminou em 13,61%, ante 13,68% na véspera — juro futuro caindo significa mercado cobrando menos prêmio de risco. Na véspera, o Copom havia cortado a Selic de 14% para 13,75%.
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Lá fora, semicondutores puxaram a virada: Nasdaq +1,69% e S&P 500 +1,14%, com Intel +7,67%, AMD +6,36% e Nvidia +2,54%, esta após dizer que venderá o dobro de chips em 2027. Reverte a venda generalizada da véspera, dia da primeira alta de juros do Fed em três anos.
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A amplitude segue larga: no fechamento de referência de 15/09, 80,3% das ações do IBOV estavam acima da média de 20 dias e 72,4% acima da de 50 dias — a maioria dos papéis ainda em tendência positiva, apesar da semana negativa do índice.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Para o trader: amplitude larga (80,3% do IBOV acima da média de 20 dias) convive com semana negativa (-1,21%) e com um índice que virou quase 3 mil pontos em uma manhã — a sensibilidade a manchete política pede posição menor e volume confirmando antes de entrada comprada.
Para o investidor de longo prazo
Para o investidor de longo prazo: o custo do Bolsa Família (cerca de R$ 22,7 bi em 2027) e o cálculo de R$ 35,7 bi em contingenciamento colocam a conta pública no centro da formação dos juros longos. O corte da Selic para 13,75% só se sustenta se essa conta fechar — cabe acompanhar o contrato de janeiro de 2028 como termômetro.
Para acionista de LREN3
Renner aprovou R$ 227,5 milhões em juros sobre capital próprio (JCP, forma de remunerar o acionista com benefício fiscal para a empresa). Tem direito quem estiver com a ação em 22 de setembro; a partir do pregão seguinte o papel negocia sem o provento.
No radar — agenda BR + EUA
Nenhum evento macro relevante hoje.
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668