Morning Call

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Juros longos dos EUA no maior nível desde 2004 derrubam o IBOV a 183,9 mil; Brent firme acima de US$ 105 com Ormuz bloqueado

Sem indicador programado para hoje, quem manda no humor é o mercado de títulos lá fora: Treasury de 30 anos no maior nível desde 2004 e o de 10 anos acima de 5,2%, drenando dinheiro de emergentes. Aqui, o Banco Central apresentou o Relatório de Política Monetária com a Selic em 13,75% e disse não ver efeitos de segunda ordem do choque do petróleo; o governo reduziu a contenção do Orçamento de 2026 para R$ 16,1 bilhões. Trump e Xi se encontraram sem acordo comercial.

O que tá dando o tom

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    IBOV caiu 0,99%, aos 183.965,91 pontos — segunda baixa seguida e perda do patamar de 184 mil. O dólar foi a R$ 5,193, maior fechamento desde 28 de agosto, e os juros futuros (DI, contratos que apostam na taxa básica à frente) subiram em toda a curva, com janeiro de 2028 a 13,675%.

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    O estresse veio do mercado de títulos: o Treasury (título do Tesouro americano) de 30 anos bateu o maior nível desde 2004 e o de 10 anos passou de 5,2%, com dirigentes do Fed admitindo nova alta de juros ainda este ano. Japão, Reino Unido e Alemanha foram na mesma direção.

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    Wall Street fechou sem direção: S&P 500 praticamente estável (-0,02%), Nasdaq de lado (+0,01%) e Dow Jones -0,31%. Meta subiu 4,5% após lançar óculos inteligentes; Oracle caiu perto de 4% ao acionar força maior num datacenter no Novo México.

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    No setorial brasileiro, a fusão Yduqs-Afya reorganizou educação (YDUQ3 +2,95%, Cogna -5,22%) e as farmácias apanharam com o Mercado Livre entrando em medicamento com receita: RD Saúde -5,38%, Pague Menos -8%, Panvel -4,90%.

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    A amplitude do IBOV (quantas ações sobem, não só o índice) ainda aparece saudável: 72,4% das ações acima da média de 20 dias e 73,7% acima da de 50 dias. Mas a referência é o fechamento de 21/09 — é leitura anterior às duas quedas, então não capta a piora recente.

O que fazer com isso hoje

  • Para o trader

    Para o trader: com o índice na segunda queda seguida e o dado de amplitude ainda preso ao fechamento de 21/09, a leitura interna está atrasada — cabe esperar confirmação de volume antes de comprar a queda.

  • Para o investidor de longo prazo

    Para o investidor de longo prazo: juro longo americano no maior nível desde 2004 e Fed admitindo nova alta encarecem o dinheiro global e costumam pesar sobre bolsas emergentes enquanto a pressão durar. Cabe acompanhar, não antecipar.

  • Para acionista de YDUQ3

    A fusão anunciada com a Afya reorganiza o setor de educação e o papel subiu 2,95%, a R$ 11,18, num dia de queda do índice. Vale acompanhar os termos da operação e a reação da concorrência — Cogna caiu 5,22% na mesma sessão.

No radar — agenda BR + EUA

Nenhum evento macro relevante hoje.

Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668