Morning Call
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Quarto pregão de queda no IBOV, dólar no maior nível em seis meses e juro dos EUA de 10 anos nas máximas de duas décadas
Hoje não há evento macro programado no Brasil nem nos EUA — o mercado anda pelo que já está na mesa. Lá fora, o juro do título americano de 10 anos a 5,25% e cerca de 70% de chance de o Fed subir a taxa em outubro; a semana traz inflação e emprego nos EUA, que calibram essa aposta. Aqui, a semana do primeiro turno e o Focus elevando a inflação de 2026 a 4,99% mantêm a curva de juros futuros pressionada. É também fim de mês e de trimestre, período de ajuste de carteira.
O que tá dando o tom
- ▸
IBOV aos 182.991 pontos, -0,26% no dia e -1,93% na semana: quarta baixa seguida, mesmo com Petrobras e o petróleo em alta fazendo contrapeso positivo.
- ▸
Dólar a R$ 5,22 (+0,19%), maior fechamento em seis meses, com os juros futuros subindo em toda a curva — ou seja, o mercado passou a embutir Selic mais alta à frente. O Focus elevou a inflação de 2026 de 4,92% para 4,99% e manteve Selic em 13,50%.
- ▸
Lá fora, Wall Street no vermelho (S&P 500 -0,77%, NASDAQ -0,92%), mas o enredo está na renda fixa: juro do título americano de 10 anos a 5,25% e do de 30 anos a 5,57%, máximas de quase duas décadas, com cerca de 70% de chance de o Fed subir a taxa em outubro.
- ▸
Amplitude ainda não é de capitulação: 42,1% das ações do IBOV estão acima da média de 20 dias e 64,5% acima da de 50 dias (referência de 25/09) — queda mais concentrada do que generalizada.
- ▸
A menos de uma semana do primeiro turno, novas pesquisas mantiveram o quadro apertado; e a proibição das bets virou disputa no STF, com R$ 1,7 bi de 22,9 milhões de apostadores voltando pelos bancos até 14 de outubro.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Para o trader: quarta queda seguida com dólar na máxima de seis meses e calendário vazio hoje deixa o pregão no fluxo e no ruído eleitoral; com 42,1% das ações do IBOV ainda acima da média de 20 dias, não há sinal de exaustão que justifique antecipar fundo.
Para o investidor de longo prazo
Para o investidor de longo prazo: juro americano de 10 anos a 5,25% e aposta em alta do Fed em outubro encarecem o dinheiro global e tendem a pesar sobre bolsas emergentes; com Selic projetada em 13,50%, a renda fixa local segue concorrendo forte com ação.
Para acionista de PETR4
Brent perto de US$ 100 (+1,90% no dia) sustentou o papel como contrapeso num pregão de queda. Cabe lembrar que esse suporte é geopolítico — Trump rejeitou a proposta de cessar-fogo do Irã e a Arábia Saudita retomou fluxo em oleoduto —, e pode virar rápido nos dois sentidos.
No radar — agenda BR + EUA
Nenhum evento macro relevante hoje.
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668