Morning Call
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
IBOV corta quatro quedas com bancos, mas índice do medo bate recorde e juro de 30 anos dos EUA vai ao topo desde 2002
Sem evento no calendário de hoje; o que pesa é o pano de fundo. Nos EUA a inflação não cede: o Fed, banco central americano, subiu a taxa em 0,25 ponto neste mês, para 3,75%-4,00%, e o mercado já precifica ao menos mais uma alta até dezembro; o PCE, índice de preços preferido do Fed, sai nesta quarta. No Brasil, o Caged trouxe 165.827 vagas formais em agosto, pior agosto desde 2020, e faltam cinco dias para o primeiro turno. Fim de mês e de trimestre também mexem no fluxo.
O que tá dando o tom
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IBOV +0,46% aos 183.828 pontos, cortando uma sequência de quatro quedas. Itaú (ITUB4, +1,34%), Banco do Brasil e Petrobras (PETR4, +0,78%) seguraram o pregão. Na semana o índice ainda cede 1,92%.
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A alta não foi calma: o índice de volatilidade da B3 (o "índice do medo", que mede o tamanho de oscilação que o mercado espera à frente) fechou a 32,06 pontos, recorde pelo segundo dia seguido e primeira vez acima de 32 desde que passou a ser calculado, em 2024.
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Amplitude segue fraca: apenas 29,6% das ações do IBOV estão acima da média de 20 dias, contra 63,0% acima da média de 50 dias (referência: fechamento de 28/09). Leitura de alta concentrada em poucos papéis, não de força ampla.
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CSN (CSNA3) desabou mais de 10% ao cortar a projeção de volume da divisão de mineração, de 45-47 para 39-41 milhões de toneladas, com custo por tonelada maior; Vale recuou mais de 2%.
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Fora: Nova York no vermelho outra vez, S&P 500 -0,17% (7.671) e NASDAQ -0,09% (26.798), com os Treasuries (títulos do governo americano) pesando — o juro do papel de 30 anos chegou a 5,61%, maior nível desde 2002. Dólar quase parado, a R$ 5,2031.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Para o trader: índice do medo em recorde (32,06) com apenas 29,6% das ações do IBOV acima da média de 20 dias pede tamanho de posição menor — a alta de ontem veio de bancos, não do índice inteiro, e o risco hoje está no tamanho da oscilação, não na direção.
Para o investidor de longo prazo
Para o investidor de longo prazo: juro de 30 anos dos EUA a 5,61%, maior nível desde 2002, encarece o dinheiro no mundo e costuma pressionar bolsas emergentes enquanto durar. O PCE desta quarta é o próximo teste dessa conta.
Para acionista de CSNA3
Corte da projeção de volume de minério (de 45-47 para 39-41 milhões de toneladas) com custo por tonelada maior muda a conta da divisão. Cabe acompanhar se o mercado trata como ajuste pontual ou como tendência, e o arrasto sobre o setor — Vale caiu mais de 2% na mesma sessão.
No radar — agenda BR + EUA
Nenhum evento macro relevante hoje.
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668