Morning Call
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
IBOV devolve 0,74% em nova realização pós-primeiro turno; juro de 10 anos dos EUA na máxima desde 2002 aperta o humor global
Sem eventos macro programados hoje, o preço vem de fora: Treasuries de 10 e 30 anos a 5,356% e 5,732%, máximas desde 2002, com alívio só após um leilão de US$ 39 bilhões bem absorvido. O Brent segue acima de US$ 100, com estoques americanos caindo 3,2 milhões de barris e Washington–Teerã sem trégua. No doméstico, cabe acompanhar a PEC do fim da escala 6x1 no Senado e o STF, que excluiu créditos de ICMS da base do PIS/Cofins — até R$ 16,5 bilhões a menos para a União.
O que tá dando o tom
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Ibovespa fechou a 204.302 pontos, queda de 0,74%, com bancos e Vale pesando mais — segunda rodada de realização de lucros (investidor vendendo depois da alta) desde o resultado do primeiro turno. O mau humor externo também contou.
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O dólar voltou a fechar acima de R$ 5, a R$ 5,02, acompanhando a valorização global da moeda americana. O índice do dólar (DXY), que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, ficou praticamente parado, a 102,23.
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Wall Street devolveu parte do recorde da véspera: S&P 500 e Nasdaq caíram 0,22% cada. O gatilho veio da renda fixa — o juro do título do Tesouro americano de 10 anos (Treasury, referência de custo do dinheiro no mundo) subiu a 5,356%, máxima desde abril de 2002.
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A ata do comitê de juros do Fed (Fomc) mostrou alta unânime de 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4,00%, e a maioria dos dirigentes vendo outra elevação como provável até o fim do ano. Não é compromisso: as próximas decisões seguem atreladas aos dados.
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A amplitude não se deteriorou com a queda: 89,5% das ações do IBOV seguem acima da média de 20 dias e 86,8% acima da de 50 dias (fechamento de referência em 05/10) — sinal de que a tendência ampla continua de pé.
O que fazer com isso hoje
Para o trader
Para o trader: a queda veio sem estragar a amplitude — 89,5% do IBOV acima da média de 20 dias. Até aqui é realização dentro de tendência, não reversão; o risco do dia é importado, pelo juro longo americano.
Para o investidor de longo prazo
Para o investidor de longo prazo: juro de 10 anos dos EUA a 5,356% e um Fed que admite outra alta até o fim do ano encarecem o dinheiro no mundo, o que tende a pressionar bolsas e ativos de prazo longo. Na renda fixa local, a reprecificação apagou o IPCA+ 8% no Tesouro Direto — quem esperava esse ponto de entrada perdeu a janela.
Para acionista de PETR4
Petrobras levou sozinha os 12 blocos da Bacia de Campos, com quase R$ 3 bilhões em bônus de assinatura: caixa saindo agora, reservas de retorno longo. Com o Brent acima de US$ 100 o momento ajuda; cabe acompanhar o ritmo de investimento.
No radar — agenda BR + EUA
Nenhum evento macro relevante hoje.
Análise por Bráulio Langer Fernandes · CNPI-T 7668